Sue... too much Sue.

Está claro que a intenção dessa última temporada de Glee é voltar as origens e a série fez isso muito bem nos três primeiros episódios dessa temporada. Trazer a eterna guerra entre Sue e Will, portanto, soa natural e seria uma boa ideia, se esta não tivesse vindo recheada de exageros que, até para os níveis de Glee, foram além da conta.

Não me entendam mal, gosto de Sue e de seus excessos, mas houveram momentos neste "The Hurt Locker: Part 1" que me fizeram questionar aos roteiristas o mesmo que uma das integrantes do Vocal Adrenaline disse à Will Schuester quando este decide dar um de seus discursos motivacionais ao grupo: "are you bipolar?" (Você é bipolar?).

Todo o conflito entre os personagens já havia sido resolvido na temporada anterior, quando Sue conseguiu destruir o glee club e transferir Will para uma nova escola. Até somos comprados pela ideia de que a coach e seu ódio mortal por Cabelo de Miojo vão muito além disso, inclusive aceitamos que essa guerra tenha (re)começado por causa de um simples garfo esquecido. O que não desce, de fato, é ver Sue - que jamais, repito, jamais se importou com nenhum dos membros do New Directions - sendo a maior shipper de Klaine que o tumblr já viu.

Confesso que as piadas sutis a respeito do desaparecimento de determinados alunos do glee club, a menção ao fato da banda conseguir tocar absolutamente qualquer música e até o "may the odds be ever in your favor" funcionaram maravilhosamente. Contudo, o episódio inteiro trouxe uma carga muito grande de Sue Sylvester que, desde sempre, é uma personagem que funciona por vir em doses homeopáticas. Se tem uma coisa que aprendi com "Glee" é que uma Sue é pouco, duas é bom, e três com direito a número musical é demais.

A propósito, outro quesito em que este episódio falha miseravelmente é a escolha das músicas. Ainda que "Bitch" seja divertida e se encaixe com a persona de Sue, duas performances chatíssimas do Vocal Adrenaline com um bando de avulsos fazendo malabarismo foi duro de engolir. O melhor mesmo ficou por conta do dueto de Sam e Rachel da música de Stephanie Vanessa Carlton "A Thousand Miles".

Por falar em ship, ver os dois juntos se tornou um desejo enorme de alguns fãs - especialmente após a morte de Finn. E posso estar enganado, mas acho que os roteiristas não tem a intenção de investir nesse relacionamento daqui para o fim da série e a coisa toda, ainda que bonitinha, pareceu ser apenas um aperitivo para quem sempre quis ver Samchel acontecer. Novamente, posso estar enganado.

Já Klaine é só mais uma coisa que se encaixa na lista de momentos "over the top" do episódio. A piada do urso na cama de Karovsky foi tão engraçada quanto um jarro de flores e é tão ridiculamente óbvio, pelos rumos da trama, que Porcelana e Gravata Borboleta terminarão juntos na series finale que nenhum dos diálogos entre eles traz qualquer expectativa ou emoção. Se ao menos Blaine estivesse em um relacionamento que realmente conseguíssemos comprar, ou Kurt não fosse em encontros com zumbis, a separação dos dois soaria como um risco de verdade.

Além de tudo isso, não tivemos uma cena sequer com os novos alunos. Nenhum diálogo. Nenhuma performance. É triste ver tanto talento sendo desperdiçado, especialmente de Roderick, que ainda aguardo por mais um número musical. Ainda mais triste é saber que provavelmente teremos uma parte dois de "The Hurt Locker" com mais Sue, mais Vocal Adrenaline e mais exageros.

PS.: Quando aquele armário se abriu, pensei que veríamos Marley, Ryder, Unique e cia lá. Só isso explicaria o sumiço.

PS.2: Irmã de Figgins gatíssima.

Nota: 6

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