Enquanto não houver HBO no inferno, ficamos com "Supernatural"

“Supernatural” carece de efeitos, de trama, de roteiro e de atores. Mesmo com tantos defeitos ainda encontro qualidade na série em certos momentos e posso dizer que “Hello, Cruel World” teve alguns deles em doses esporádicas.

Sera Gamble decidiu abandonar o típico ‘monstro da semana’ para dar continuação a trama dos Leviatãs, dando aparência de trama episódica ao desta semana, mas que terá continuação no próximo. O episódio foi bom, mas logo de cara a CW deixa claro que esta é uma série de orçamento ridículo. Servindo como exemplo, a abertura com os Leviatãs invadindo o sistema hidráulico da cidade.

Misha Collins, um dos poucos motivos pelo qual ainda acompanho a série, para completar: afundou Cas junto com a trama. Sobre isto, não acredito que ele morreu, afinal isso é “Supernatural”. Sam parece a ponto de um colapso emocional de caretas que se assemelham mais à cólicas menstruais do que ao fato de que estava sendo encoxado pelo diabo e atirando em paredes durante todo o episódio. Não dá para culpar o Dean por estar prestes a sucumbir também. Tudo ao seu redor parece desmoronar e o descontrole da barreira entre o sobrenatural e o humano parece aquém das habilidades dos Winhcesters.

A chamada da temporada não poderia ser mais simbólica com os vilões da temporada, os Leviatãs. O óleo preto que possui as pessoas me lembrou de Arquivo-X, essa não seria a primeira referência a série, visto o episódio da temporada passada com foco em aliens. Um show de tinta guaxe preta (diluída em água) que foi completado por um banho de sangue em um vestiário e no hospital sendo concebido por ninguém menos que o Dr. Sexy M.D. Não poderia ter referência mais legal em “Supernatural” que esta, mas isso sequer rendeu momentos cômicos.

Nem mesmo Dean foi capaz de me fazer esboçar um sorriso, talvez porque “Hello, Cruel World” seja um episódio que supostamente devemos levar a sério, mesmo parecendo impraticável. Pois bem, a trama tomou rumos previsíveis com um desenvolvimento arrastado que ao menos não foi descartado como mais um episódio ‘filler’.

O retorno de Mark Pellegrino também marcou o episódio com bons monólogos que nem mesmo conseguiram ficar ruins na presença de Jared Padaleck. Assim, com o colapso de Sam, o desaparecimento de Bobby e a suposta morte de Cas, pela primeira vez em tempos, um episódio nos passou a impressão de que os caçadores estão sozinhos, de que ninguém virá pelo pedido de socorro de Dean, tendo este que recorrer ao 911 que os levará direto ao hospital repleto de Leviatãs.

O ritmo deste episódio foi inferior ao passado, mas ainda satisfatório por apresentar fatos recorrentes e substanciais para o seguimento da temporada. Não peço muito ao pedir que a série retorne a qualidade da sua 4ª temporada, ou ao menos de sua 3ª ou 2ª. Ainda convém dizer que tudo indica que este ano as coisas se desenvolveram melhor que na Season 6. O senso de perigo está maior, a mitologia está mais afiada e a solidão parece atingir Dean. Podemos já criar expectativas?

Postar um comentário Disqus

 
Top