Existe um oponente à altura de Walt: o tempo.
Agora, ela perdeu tudo isso. Perdeu todo o poder que tinha. Ela nem pode expulsá-lo de casa, ou de sua cama, ou parar de lavar o dinheiro dele, ou ir à polícia. Ela foi consumida pela escolha de se adaptar à ele e agora ela está desarmada. Sua única vantagem, se é que podemos chamar de vantagem, é o tempo.
E é justamente este pequeno detalhe que assombra Walt. Depois de ver a atitude arrogante dele no 5x01, imaginei que seria seu ego inflamado a causa de sua queda. Mas agora penso que seja o desespero de vencer o tempo. Aqui já vimos ele trocando os pés pelas mãos e determinando que Lydia permaneça viva para fornecer metilamina. Quer dizer, ele nem sabe o tamanho do erro que está cometendo, já que só Mike sabe com que louca instável eles estão lidando.
Aliás, esta pressa vai é aumentar o tamanho de seus - já existentes - erros. Quando ele ainda não estava com um "prazo demarcado", a sensação de conforto que ele tinha também era motivo para imprudências. Vide o lucro absurdo que ele teve com a venda do carro, e a seguinte compra que ele fez. Seja no limite da liberdade, seja no limite da restrição, parece que ele só tende a agir com o impulso.
Voltando ao início da review, onde falei que o episódio uniu os cinco anos da série, vemos que "Fifty-One" foi sobre os aniversários de Walt. Por trás da data comemorativa, no entanto, percebe-se que a "evolução" de professor de química a monstro trouxe consequências não tão planejadas por ele, como podemos observar abaixo:
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Mas, dentro do sucesso de sua vida, Walt passou a ter alguém que o admira a ponto de tê-lo como figura paterna: Jesse. O ingênuo Jesse presentou White com um relógio, que contém uma das maiores simbologias da série. De acordo com o Breaking Bad Brasil, o presente trata-se do "Tag Heuer Monaco", um relógio caríssimo que ficou famoso por aparecer no pulso de Steve McQueen, no filme Le Mans (1977). Acontece que Steve McQueen morreu de um raro e inoperável câncer de pulmão, justamente o terror da vida do protagonista. Por outro lado, quando ele se deita e a última cena se fecha, o barulho de cada segundo passando retorna outra vez à questão do tempo, que não cessa de passar.
Quem esteve presente em todas as festas de Walt foi Hank. O engraçado é que cada momento dele com o cunhado faz lembrar o discurso de seu antigo chefe sobre o amigão que era Gus, que direto confraternizava com ele e sua família. Ironia do destino ou não, Hank se encontra na mesma posição. Ao que tudo indica, ele será o novo comandante e ocupará o cargo do chefe enganado. Para completar, com o novo trabalho ele deixará a investigação do império de Fring, cuja maior interrogação ainda é Walt.
Imagino que Hank pode acabar entrando num ciclo. Se em algum momento uma suspeita levar à Walt, certamente ele vai rir da situação sem acreditar na hipótese. No entanto, temos que considerar que, sendo o bom detetive que ele é, este ciclo talvez nem exista ou não dure muito, encurtando ainda mais o pouco tempo que o relógio marca para White.
Observações:
- O tique-toque do relógio também lembrou a fala de Mike no 5x01, onde ele chama Walt de "bomba-relógio".
- O segundo celular apareceu de novo na conversa. Que estranho uma coisa tão simples e insignificante ficar indo e vindo e incomodando justamente Hank.
- Tivemos novamente a cena do bacon em formato da idade do aniversariante, uma tradição da família White.
- Impressionante como Marie sabe guardar segredo.
- Breaking Bad Brasil: www.breakingbadbrasil.com
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